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terça-feira, 15 de março de 2016

Crítica: A Bruxa

Olá pessoas que continuam lendo todo o conteúdo desse blog maravilhoso! Hoje eu preciso confessar que a crítica vai ser de um filme nada fofo, super denso, pesado, mas ao mesmo tempo bastante reflexivo. Trata-se de um filme de terror que acaba causando um impacto diferente no público já acostumado com os longas focados somente nos sustos, e que mais divertem no momento do que fazem realmente ser lembrado depois.


Em A Bruxa (The Witch), filme baseado inteiramente em contos folclóricos da Nova Inglaterra, vemos uma família sendo expulsa da sua comunidade, tendo que se virar pela sua própria sobrevivência, sendo mãe, pai e cinco filhos no total. Ao se situarem numa pequena casa em campo aberto, próximo a uma enorme e assustadora floresta (ideia não muito interessante), a família começa a notar estranhos acontecimentos no local, que os levarão a momentos de pura agonia.


A ambientação do filme é simplesmente incrível. Nos vemos na Nova Inglaterra do século XVII, onde a religião é a resposta para qualquer questionamento, e é nela em que as pessoas se baseiam para explicar qualquer novo evento. Isso fica muito claro a partir da interação da família, visivelmente puritanos religiosos que associam qualquer coisa ao pecado, ou até mesmo à ações do “Coisa Ruim”. A bruxa em si aparece nesse contexto então de uma forma completamente interpretativa, a sua personificação não diz mais do que aquilo que os personagens mais anseiam nos seus mais profundos desejos, nos seus pecados, que os martirizam internamente.


O misticismo e a religião caminham lado a lado em todo o longa, fazendo assim com que o espectador mais atento realmente se questione se tudo o que está acontecendo de estranho é real, ou se o isolamento causa um impacto fundamental numa espécie de transtorno psicológico de cada um, afinal, uma mentira contada várias vezes se torna uma verdade. Isso vem muito do trabalho primoroso do diretor estreante, que também escreveu o roteiro, Robert Eggers, na entrega de uma trama assustadora, mais focada no medo, num slowburning extremo, ou seja, que vai acumulando momentos de tensão por toda a trama, associando ao ambiente mostrado com uma fotografia simplista, mas muito característica, com tons de cinza agoniantes, assim como pela trilha sonora que sempre começa na hora certa, arrepiando todos os cabelos do corpo até chegar ao seu clímax final, culminando num final que não poderia ser outro ao meu ver. Merecidamente, Robert foi premiado como o melhor diretor no Festival de Sundance e vem sido aclamado pela crítica.

A Bruxa entrega uma trama extremamente perturbadora, que te faz refletir muito depois, mas, que ao meu ver, mesmo tendo despertado um medo intenso nas horas posteriores, não entrega na sua totalidade o que se vende em publicidade, já que é apresentado como “o filme mais assustador de todos os tempos”. É sim um filme bom, que merece destaque no gênero terror justamente pela sua coragem de tentar algo novo, mas que acabou criando expectativas muito altas, que não foram totalmente agraciadas. Vale a pena assistir para contemplar inclusive uma ótima crítica ao fanatismo religioso que ainda toma conta de parte da população, e de como a própria percepção do ideal de pecado acaba levando-os à sua perdição pessoal. 


Assista ao trailer:


Um beijo na sua alma!

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